Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Desconformado( Ou Saudades de mim; uma criança grande)



Enobreço tudo o que sonho torto,
Outrora me escondo, num silencio de prece,
Vou ao canto num tímido de Rei Morto,
Desfaleço relendo em mim uma criança,
Que não dorme na noite, e nem se enobrece,

Tenho medo daquilo que não entendo,
E sinto vergonha daquilo que eu apenas vejo,
Por que a palavra tem sabor de esperança,
Quando pronunciada trouxe-me a aliança,
Minhas pegadas marcadas no tempo...

Naquilo que me tenho não sou o mesmo,
Tenho olhos de quem canta ao olhar,
Sinto sede que não me veem a dar,
Porque minha vida tem lembranças,
Que quando baixo a vista me vejo a chorar,

Estou plenamente sem chão sob andanças,
A procura que de dia o sol siga acirrado,
Na Luz obscurecida apenas por um piscar,
Mas na rapidez, meu sentimento foi quedar,
Eu de pé me sinto um ser prospecto mirrado,

Creio naquilo que sinto e não no palavreado,
Toco aquilo que imagino e não o que materializo,
Não deveria eu martirizar o que iludo?
Porque aquilo que me cobre hoje é tudo,
Mas algum dia saberei que serás mais um nada,

(Cléber Seagal)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Uma Homenagem significada (Rosa Vegetal)



Os homens com seus meios, a terra como esteio, e o coração para sentir sem ser vão, assim procedo, o que direi de uma mulher sem que ela seja toda uma razão. Digo não de um romantismo de rosa vegetal, mas de um jardim que se rega por crescente e no fim temos um floral esplêndido.

Como se por alguém se estivesse marcado eu por agora vivo, e não sei se isto é tudo, visto que escrevo o que sinto e sinto o que escrevo, no entanto tenho medo do que não mais me poderá de vir. Sou alimentado por amar tanto, um sonho a mais de ti.

O universo com toda a sua infinidade não sabe e nem sonha o que nós temos, e talvez produza no seu silencio o que na prova eu e tu vivemos de eterna verdade, por acaso são os astros eternos como as intenções de quem se ama? Vejo que a física ainda não corrompeu meus sentimentos.

Como é plácido estar em algum lugar de dentro de seu coração, de sobre medir o tempo com toda a tenacidade das viagens de um sentir, sem que demasiado eu esteja num alento de solução, sob um amor emparedado de constatação.

Estes dias de solares breves e noites constantes, em que converso sozinho à um cama doidivana e dou-lhes todas as honras de que se valem os reinos, mas tu és minha Dama, meu apetrecho de pensamentos, passados à tona recomponho-me em retalhos de quem te és por merecimentos.

Ouço sempre tua voz de mansinho num sussurro ao vento que digo; - volte ventania minha e leve algum desespero que ficou marcado. Na lembrança de quem te quer dalém dos desejos, oh Deus! Eu tão acostumado...

Queria que me visse como um ser incauto, que te segura a mão e aprisiona o beijo esperado, num momento de plena elevação, não seriam só desejos, mas tê-la sempre próximo me tira uma prisão. Nisto de apenas pensar estou liberto

Haverão noites em que te buscarei inconstantemente, e encontrarei a poesias no mais inesperado, porque de tanto tentar transcrevê-la em papel, a terei quase por necessário em olhares; E Tu zelosas como sempre a andar pelas ruas de minha mirada.

(Cléber  Seagal)

Palavras para uma noite estrelada


Por que choras na noite doce pirilampo estrelado?
Na atmosfera de negrume consome-se,
Um espaço indivisível de olhar, infinito céu esperando,
Meu ver não cabe ainda o que está dalém dos cardinais,
Assim espero o improvável no fundo do sono,


Há um vácuo entre planetas, sob signos vãos,
Teorias e cálculos que minha mente rarefaz,
Os astros movem-se e as pessoas param,
Na mesma velocidade da razão,

Nas galáxias que desconheço estou no silencio,
Espremido em poeiras de minha obstinação,
Haverão estrelas neste sul que eu desconheça,
Como os sentimentos que provam meu coração,

Tenho por um tempo a calmaria dos seres,
tenho um apreço pela lua que te avizinhas,
Num alto de luz e sobejo,
E na outra esquina, nem eu mesmo me vejo,

Paz eterna, obscurecer das noites certas,
Uma estrela apascenta a terra quando brilha,
Parece me enamorar, num cintilar corrente,

E a toda a toda Gaia vislumbra descrente,



As outras se espelham numa luz que não tenho ao todo,
Mas que nasce por todos os dias,

Quando tu também o vigias, as vezes vê a grosso modo,
Admirar, descrer-se das coisas imanentes, 
Pergunto, de um espírito de revoada, translucido contente;

Porque choras num sereno remindo?
Eu aqui no teu espaço, meu espaço cadente,
Lirismo de tímido sofisma...
Sorrateiro eu te admiro numa altivez de universo,
Que soa límpido, na incerteza desta terra,

(Cléber Seagal)

domingo, 2 de junho de 2013

Sistemas


Nada somos, mas tudo fomos,
E aquilo que seremos é sonho,
Uma vez por dia lembrar,
Outras vezes imaginar,

Nos desviamos e somos medo,
Cerca-nos o segredo,
E a pedra de nós rarefaz,
Para quem tanto vivemos?
Se não contamos de sermos,
Nossa vida de talvez se desfaz,

Insípido é viver sem efeito,
Mormente que nos separa,
Queixas que nos tem feito,
Daqueles a quem sou vara,

Na lei o que vejo é regresso,
No homem a figura de gesso,
Assim vejo, Ideologias diversas,
Meu desprezo é de obras diversas,

O aspecto da sombra bafeja,
A ordem é mentira numa silhueta,
O prazo diminui os deveres,
O modelo de vida os prazeres,
Sob a maquina a dissipação,
Sob o coração a angustia,
Meu ver não cabe alienação,

Na injustiça uma assimilação,
Nas ideias afora astúcia,
De que o ser humano divisa.

(Cléber Seagal)

Cegueira Diurna


O caminho que estreito minha vida é minha sina,
Onde ando por espinhos e matagais,
A vista escurece aos poucos, e eu não deveria dizer,
Só que eu não sei até onde chego,
Desço ao íngreme mar de fogo que me arrefece,
Já me é tudo uma noite,
No túnel sigo uma luz que se vai longe,
Nunca chego, a imagem se perde e eu me perco,
Desço ainda mais ao ultimo sentido das existências,
Porque meus avós se foram, meus pais o seguem,
Por que eu não não passaria assim como muito,
Já foram uma história mal contada,
Passei a maior parte de minha vida assim;
Esperando algo que finda, para nunca mais ter de esperar,
Fiz um pacto, não com mefistófeles,
Segundo disse um certo alemão,
Mas me vendi ao tocável, nisto fui efêmero,
Se por malicia inútil fujo do que peço,
Não me chores, nem vele por mim um cântaro,
Porque escuto o escuro e vejo o silencio,
No meu amadeirado vejo ironias,
Ser guardado nalgo que já foi vida,
E pelos seres humanos cortados,
No fim, junto comigo ser mais um convalescido,
Aqui não há escolhas,
Oras! não tenho mais direito no meu mal-dizer,
Nisso tive tudo em vida sem pedir,
E no fim recebo como dores aquilo que subtrai;
No mais, meu espectro de vida tem me cobrado.

(Cléber Seagal)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Palavras Vãs



Te digo que sinto falta,
Da palavra bem falada,
Nosso jogo de entrar-se sem pedir
Todas as vezes que lembro a medir,

O passado em ti contemplável
Como quem lamenta o retornável,
Nada me tenho do que sangue
E nervos que me arranque,

Eu então vou a malograr por extensos
Nas palavras me condeno,
A ti vigiar, vigiai ó tolo de mansos,
O que traz seus momentos,

As vezes sofro, deixo transparecer
E se de tanto imaginar aparecer,
Corro, latente eu chamo
Minha noite quase como,

Uma vez mal dormida, errar...
Outra tentativa e eu carecer,
Talvez não precisa de me lembrar
Talvez... Uma vida e nós a morrer.

(Cléber Seagal)

Lamentos de Momento

Moça tão bonita, não sofras, não seja cara,
Quando o caminhar pesa aos pés a esperança segue,
E aguardo que tu vestirás seu olhar cinderelo que embebe,
Todos sonhos em bandejas, verás que a dor sara,

Um dia te serviram todos os teus desejos,
E os becos sentem as obras de quem pinta,
Uma vereda de pejos que se foram,

Não se mintas, olhe todos os teus amores tardios,
Veja como obras do que sobraram,
Abaixo escombros, levanta-se alicerces ao céu,
Teu eterno cobertor de santos.

Adiantou chorares noite adentro?
Quando a cerração novamente se desfaz,
Olha para mim e diz ao lento,
Onde andam teus ais, que eu também te choro,
Como assim faço por dentro.

(Cléber Seagal)