Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

domingo, 16 de março de 2014

Inferno do descrente




Hoje estou onde ninguém do outro lado esteve e pode retornar,
Na beira do abismo, onde o monstro de mim me notou,
Sob poços que de água carecem,
E distancias que os pés nunca chegam,
O horizonte é uma luz que margeia;
Minha reza tão rotineira, complacente consigo,
E eu impreciso na neblina do tempo que se perde,
Mundo crivo: Estou tremendamente entre a opinião faceira,
E a voz que incendeia qualquer desilusão.
Mascaras que as pessoas deixam sobressair,
Exílio de anormalidades;
Quebra cabeças,
Peças soltas,
Palavras devolutas e meus pecados se vão à mão,
Até que chegue o outro inferno dos outros,
Ah se não, é o mesmo!

(Cléber Seagal)

Viandante in religio



Nada muda meu desassossego,
Neste ônibus que estradeia aglomerados,
Estes cinzentos sob constructos,
Aqui a vida tão impulsionante que artificializa tudo,
E os preceitos esmagam,
Como a mensagem de voz no surdo,
Meus pés caminhantes,
Parecem barcos sem nau nem previsto,
E a ideia do Cristo dependurado,
Sob um parapeito de gentes é mais um mal amado,
Que quando criança me fiz de indagar ajoelhado,
Uma ânsia existencial.
Recolho-me em minha insignificância,
Que o tempo se faz distante,
Um prelado meu sob marasmos,
Mas quem não ânsia o meio dissocializa,
Vira esteiro da vida do material.

(Cléber Seagal)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Desejo



Notas diminutas interditas,
Na noite tão minúscula de um desejo tão grande,
Em um espaço que se faz dizer de exato constante...
Dorme sonho, dorme sentimento que na sombra prevalece,
Conforme a minha dor que esquece,
De tê-la desmedida, a busca da entrada, incita o Eu,
Vitima de uma saudade sem pudor,
Ela, entre vinte quatro horas;
Ponteiros, que entre segundos permeiam;
Esteve na minha angustia de sorvê-la. 
As escuras, eu rabisco flores em papel, 
As cores no céu boreal transmutam negrume,
Junto as mãos em receio conciso, e peço;
Que nossa razão esteja no amor que não cessa na morte.

(Cléber Seagal)

Onde estavas,



Quando na noite o universo infindava,
Entre nascer e morrer foste,
A eternidade em vagalumes no céu;
Estrela Dalva.
Onde estavas,
Que na filosofia de Platão a palavra criou vida,
Com toda a constatação,
Política e poesia, pensamento e compreensão.
Onde, oras, onde estavas,
Na obra construída do tempo,
A esfinge e pirâmides mistérios que me fascinam,
Inacreditável obra de subserviência.
Onde estavas,
Quando pregaram na cruz um inocente de escrúpulo,
Onde no amor a maldade se fez nulo, no Deus.
Onde estavas,
Quando incoerentemente se matava por ele,
Sem o observar de suas mãos, chagas e verdades.
Onde estavas,
Quando Monet pintou um laço em vida,
Colorindo os dias de certeza,
E a realidade na destreza dum pincel magnifico dum véu.
Onde estavas,
Partindo num trem,
Fugindo das guerras,
Eu era choroso encanto,
Sem entender o claustro das eras,
Quando te vi acenar um adeus.
Onde estavas,
Humanidade tão desumana,
Perdida na esquina ou em qualquer viandante,
Que no amor não fez sentimento, e desfez minhas esperanças...

(Cléber Seagal)

domingo, 19 de janeiro de 2014

Imagem Feita


No meu desassossego,
Interno de quem é ego,
Passageiro,
Era meu medo,
Cântaro de enredo,
Derradeiro,
Fui aportar nela,
Moça linda, singela,
Fui me procurar,
E de tantos desencontros,
Ida e vinda, noutros,
Me achei em mar.

Meus pés tão cansados,
Mas em teus braços,
Acolhimentos,
Como um beija-flor,
Que destoou em mil,
Batimentos,
Em gracejos que rondam,
De olhares que tomam,
E meu peito vive,
Dançando sonhado,
No compasso alado,
Minha razão declive.

Não sei se é tanto,
Não sei se é encanto,
Que perdure,
Mas te gosto santa,
Do que sinto canta,
Me cure.

(Cléber Seagal)