Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Terminus Est

Soa o sino na igreja íngreme
Move alto pedestal glorio de cruz
Mas falece mínimo e geme                
É veloz que me morde o reluz,

Este choro oprime derradeiro
Em alma que de conluio abotoou
Estás aqui pela morte creio
Vem do peito e me descolou,

De padecer a carne do vivente
Que a vida uma vez me sustente
Feito a foz lívida da tarde
Até dos amanheceres alarde,

Venha o poer de triste mansidão
São sombrios os destinos do forte
Cansaço da vida é minha morte
Sombras ao solo, mundo escuridão.
(Cléber Seagal)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Por Você

Tentei não falar de rosas
E vi na omissão do meu ser
Esse levante que me fez horas
Daí reparei; sou teu ver,

Os ventos dominam meus falares
Estou longe de ti, dos teus mundos
Aconchegos que já me tomaram profundos
Sui generis de toda forma de ares,

Outras tantas vezes que te pensei
Suponho amar-te por isso sonhei
Minha mão agora consolo do canto
E no peito estes males de anto,

Toco-te em vão na imagem
Sufoco-me tão só na miragem
São inspirares que me faltam abrigo
Que não te tenho em matéria comigo,

Desajeitado, sátiro de minha epopeia
Pois toda a minha palavra é grito
Sempre por ti penso deste rito
Melhor consolo é tê-la em ideia,

Não fui à praia pra não me lembrar
Dos cabelos de onda feito mar
Dos castelos de areia que deitei vista
Dalém jangadas quaradas a mista,

Nas agruras do sereno a fuga
Da fértil solidão que cativo
Por que te quis, por que lascivo
Infindo rosto teu n’água da chuva,

Fui ingênuo de minha alcova
Malogrado de sentimento a prova
Como rosas vermelhas te vejo nascer
Do rente das montanhas florescer,

É teu cheiro lírio do campo
De toda voz suave encanto
Teu abraçar tudo aquenta
De acariciar a mim apascenta,

Meu corpo como por ti tomado
Sou teu escravo no transparecer
És minha base, alicerce de fortalecer
Poesia de traço, meu doce pecado.
(Cléber Seagal)









quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dos Pesares do EU

Quando me olham cabisbaixo
Não imaginam em mim pressagio
Que nesta dor ora me achou
Em que mau agouro estou,

Peça armada de espantalhos
Reticente que busca do sutil
Doutros cantos fútil
Estranho e confuso de borralhos,

Tento me recompor deste feito
E não me aceito deste jeito
Deste quarto de lugar algum
Eu não sou alento, nem sou lugar nenhum,

Pedra e argamassa são cinza de cimento
Trabalho, suor, e pães diários
Minhas lutas abrigam corsários
Pilares, pedras-cal, amadurecimento,

Soa a velhice de labaredas findas
Denegrida a pele de sol resvala
Nas pernas são pesos, são esquálidas
Das mãos ressequidas me é vala,

Onde estão minhas verdades
Custas de varias vidas de serventia
Não sou mais eu nem minhas dualidades
Cantares que assombram e me silencia,

Sou esta vestimenta manchada de espúrias
Meu cansaço é marca que remeto
Olho para traz e vejo fúrias
Meu pensar forço, visto o que cometo,

Todos os dias me assento
Mas este fluxo do tempo é meu intento
Dolente, inexisto das minhas capacidades
Sou cipreste, fauno das cidades,

Esta afronta não precedida
Vês, pois sou inimigo de mim
São horas iminente de perdida
De pesares, de sobras do meu fim.

(Cléber Seagal)

sábado, 9 de julho de 2011

Orgulho

Falas o que quer ouvir, temes apropria morte
Como se por ti sofres?
Sentes com a mente e não com o coração
Abalas a mão do irmão,

Com caprichos sórdidos
Das contendas de tua alma; módicos
Choras amarguras
Que por si só não te curas

Entre os que murmuram
A tua palavra é a de menos nobre
Como se contasse de consorte
És flores que se murcham

Réu que mereces para o que aspira
Tua vida, tua foz perdida
Pouco tempo preso entre lençóis
Isto toma-lhe, te corróis?

Torrentes de fado castigado
Marca-te feito gado
Tu és o que não te fartam
Vozes que só te calam.

(Cléber Seagal)

Sentimento

Queria lisonjear-me com palavras mortas e de sentido dissimulado com a razão.
Queria ser parte deste universo aprazível que vivo, mas estou tão além dessas estrelas que já não mais me considero desta terra.
Sem o gabar que aparento às vezes penso que sou singelo demais para esta vida, quando me preocupo pelos meus semelhantes e esqueço de mim.
Sou o frio que chega e na folha amarronzada pelo outono cai,
Sou fogueira que aquece teu coração, lareira de inverno, arder de paixão,
Sou tudo que falo e quanto não basta, Sou o tempo inconstante de minhas palavras,
Sou teus escritos lidos de rima minha, perfeitos de inspiração versante,
Sou Poeta, nasci do amago desta vida, sem saber que nasceria,
Assim como muitos sou parte desta historia que difere do real,
Sentimento, afeto humano que não se realiza sem o teu cativo, e se por impulso te abraçar...tenha a certeza de que sou  o amor.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Paciente...

Sento e me ajeito, não terei sossego
Inerte clamor d’álma são abraços findos
São pensares de meu senso advindos
Da maior solicitude, prólogo sôfrego,

Terei dias afinco, e não te vejo
Desespero meu, caio e admito, sou seu
A perambular mundos vivo teu gracejo
Doutros tantos me aprofundo e réu,

A rolar posto em prosa, serei tantos
O mar todo de lagrimas tem-me em prova,
Quanto mais areias assolam-me cova
Provam-me verídicas todos os santos,

São de cor os olhos, e o tom sobre-humano
É casta, és todo sigilo de Medéia
O arrimo que garante o meu sono
Meu abrir de olhos, março de azaléia,

Não há mais primaveras sem ti
Só folhas ao largo a caírem
Claro é meu limbo, o inverno me ri
Tendo-me estado, estão a saírem

Volta logo, tu sabes que és cálida
E outra vez entorna-me, e se embriaga
Quão grandes e demais amores te tenho
Tão logo por ti aqui me abstenho,

Apagaram-me as paginas as escritas
Mas não apagaram todos os sonhos, as preditas
Por que durmo enquanto meu amor chega
E canto enquanto regozijo, só ela me aceita

(Cléber Seagal)



sábado, 11 de junho de 2011

Ontem

Ontem eu fui a noite, o descarrego da penumbra
Todos os sinos que a igreja ostenta,
Retino triste e dolente, o chamado a senda
No esfriar do consolo d’àr, fiz-me chuva

Desdita, falei aos ventos temporais de mim
Que grande emoção morou em fim
Choro no papel; toda ela é rabiscada
Oh medo que me és temporada,

Das sugestivas que me fazem frio
Gélido é meu coração que não te foi feliz
Fundo poço, azar do aprendiz
Faço-me dono desta reima que crio

Solitude, nem isso é verdadeiro
Pesa-me a porta deste réquiem pesadelo
Faz assim, embriaga-me a solidão!
Destes Becos meu caminho é porão,

Isolado fui de tudo que mais anseio
Meu consolo, meu postigo; teu seio
Próprio deu-me todo sentido
Pois à porta da rua passarei, serei presídio

Solilóquio; doido grito e respiro de penar
Quem entra a porta vai à janela para chorar
Retalho do que creio ser do tanto
Meu mundo teu mundo, engano?

Aprontarei esteira, tomarei do sereno
Quem Apiedará de mim primeiro
Imagens tão tuas dolo dano
Sozinho à rua com este madeiro.

(Cléber Seagal)