Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

sábado, 9 de julho de 2011

Orgulho

Falas o que quer ouvir, temes apropria morte
Como se por ti sofres?
Sentes com a mente e não com o coração
Abalas a mão do irmão,

Com caprichos sórdidos
Das contendas de tua alma; módicos
Choras amarguras
Que por si só não te curas

Entre os que murmuram
A tua palavra é a de menos nobre
Como se contasse de consorte
És flores que se murcham

Réu que mereces para o que aspira
Tua vida, tua foz perdida
Pouco tempo preso entre lençóis
Isto toma-lhe, te corróis?

Torrentes de fado castigado
Marca-te feito gado
Tu és o que não te fartam
Vozes que só te calam.

(Cléber Seagal)

Sentimento

Queria lisonjear-me com palavras mortas e de sentido dissimulado com a razão.
Queria ser parte deste universo aprazível que vivo, mas estou tão além dessas estrelas que já não mais me considero desta terra.
Sem o gabar que aparento às vezes penso que sou singelo demais para esta vida, quando me preocupo pelos meus semelhantes e esqueço de mim.
Sou o frio que chega e na folha amarronzada pelo outono cai,
Sou fogueira que aquece teu coração, lareira de inverno, arder de paixão,
Sou tudo que falo e quanto não basta, Sou o tempo inconstante de minhas palavras,
Sou teus escritos lidos de rima minha, perfeitos de inspiração versante,
Sou Poeta, nasci do amago desta vida, sem saber que nasceria,
Assim como muitos sou parte desta historia que difere do real,
Sentimento, afeto humano que não se realiza sem o teu cativo, e se por impulso te abraçar...tenha a certeza de que sou  o amor.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Paciente...

Sento e me ajeito, não terei sossego
Inerte clamor d’álma são abraços findos
São pensares de meu senso advindos
Da maior solicitude, prólogo sôfrego,

Terei dias afinco, e não te vejo
Desespero meu, caio e admito, sou seu
A perambular mundos vivo teu gracejo
Doutros tantos me aprofundo e réu,

A rolar posto em prosa, serei tantos
O mar todo de lagrimas tem-me em prova,
Quanto mais areias assolam-me cova
Provam-me verídicas todos os santos,

São de cor os olhos, e o tom sobre-humano
É casta, és todo sigilo de Medéia
O arrimo que garante o meu sono
Meu abrir de olhos, março de azaléia,

Não há mais primaveras sem ti
Só folhas ao largo a caírem
Claro é meu limbo, o inverno me ri
Tendo-me estado, estão a saírem

Volta logo, tu sabes que és cálida
E outra vez entorna-me, e se embriaga
Quão grandes e demais amores te tenho
Tão logo por ti aqui me abstenho,

Apagaram-me as paginas as escritas
Mas não apagaram todos os sonhos, as preditas
Por que durmo enquanto meu amor chega
E canto enquanto regozijo, só ela me aceita

(Cléber Seagal)



sábado, 11 de junho de 2011

Ontem

Ontem eu fui a noite, o descarrego da penumbra
Todos os sinos que a igreja ostenta,
Retino triste e dolente, o chamado a senda
No esfriar do consolo d’àr, fiz-me chuva

Desdita, falei aos ventos temporais de mim
Que grande emoção morou em fim
Choro no papel; toda ela é rabiscada
Oh medo que me és temporada,

Das sugestivas que me fazem frio
Gélido é meu coração que não te foi feliz
Fundo poço, azar do aprendiz
Faço-me dono desta reima que crio

Solitude, nem isso é verdadeiro
Pesa-me a porta deste réquiem pesadelo
Faz assim, embriaga-me a solidão!
Destes Becos meu caminho é porão,

Isolado fui de tudo que mais anseio
Meu consolo, meu postigo; teu seio
Próprio deu-me todo sentido
Pois à porta da rua passarei, serei presídio

Solilóquio; doido grito e respiro de penar
Quem entra a porta vai à janela para chorar
Retalho do que creio ser do tanto
Meu mundo teu mundo, engano?

Aprontarei esteira, tomarei do sereno
Quem Apiedará de mim primeiro
Imagens tão tuas dolo dano
Sozinho à rua com este madeiro.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sempre Noites

Eu compartilharei o céu vindouro destas suplicas
E o medo tomará deveras dormente
Enquanto noites quebrarás ondas lúdicas
Meu ser tão teu, e nunca sereis do cadente,

Olho favo momento único
Cheiro de relva todo perfume
Boca de mel quero teu suco
Amada amante és todo lume,

Das estrelas és vida, és todo leste
Por onde tantos procuraram do coração
Eles se perderam correndo ao agreste
Por fim sobrou-lhes toda a emoção,

Que brilha e entorna serestas modestas
Levanto ao braço e procuro ostentar
Terás nos pirilampos todas as festas
Quem dera ser minha em tudo ao luar,

Negra noturna solidão me sonda
Eu que tanto te peço deste abraço
Tanto mais tenho de rogar em insônia
E vós fizestes-me prender em teus laços,

Amargurado que estou, longe de ti eu pereço
Nem chamas nem calores só frio d’áço
Pobre de mim que aguardo teu regresso
Pobre da noite que me canta teu afago.

(Cléber Seagal)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Prisão Sem Muros

...Chorava em cada canto uma saudade...triste e então sozinho, estava vazio,
nas lembranças que eu tinha, que menino eu era, indefeso;
passava a maior parte do tempo em um estado profundo de alucinação,
que só rostos passados curavam,

A cada dia como a cada ano logo que notava, nossa! o tempo não para,
buscava razões para a vida na criança que nasceu, no velho que morreu,
no sol que desponta ao horizonte...tua face...

onde você está quando por ti penso? e lendo estas linhas de apreço
estou no teu ser, remindo tristes e orfaõs pensares, que falta e que tantos milhares
vou ter que espizinhar pra te merecer,

Esta febre há de passar? se na noite vejo  mais razões...
quando as estrelas vivem e morrem,
parecem tantas de brilho raro.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Impressões de um Cotidiano Triste

Ele sobe o morro altaneiro
Despojado é seu costume
Toda a rua é seu travesseiro
O ar consigo quase assume

Esta tristeza que ninguém conhece
Os amores de outrora o esvai
Sua vida aos poucos envelhece
Mal olham nem lhes atrai

As mulheres não o rogam coisa alguma
A paz que sobejem qualquer desejo
Não há quem lhe queira suma
A riqueza já foi este brejo

Todo o norte de magoas castigadas
Vociferando tomando-lhe da vida
É soberba do infeliz praguejadas
Mácula ardente e diuturna ferida

De andar sempre pelo amanhã
Não há retribuição na vivencia
Que pena faz não ter afã
Onde foi toda a sapiência?

Pés na calçada de alvenaria
A fome bate a porta de ensejo
Dos homens que acreditam da carestia
Rezo que serás livre de lampejo

É lagrima constante; é caída
Vi-o outros dias dum agosto
O que serás feito; onde há saída?
Tomara ter em si um gosto

Desses que se arruma a sobreviver
Por necessidade enfrenta tudo
Daí sim o que quiser merecer
Não se liga tanto ao mal, faz-se de mudo

No passado pensa-se futuros
Levanta tua cabeça e almeja o sol
Tua vida não é de muros
Faz do teu caminhar este farol.


Uma aurora de coisas pra se bem dizer.
De pedinte a ermitão
O velho enfrenta o viver
Por qualquer que seja o tostão

E só há uma festa na pobreza da riqueza
E meu amigo andarilho reparou bem
Pobres de espírito e sem esperteza
Quem dera o homem viver sem.

 (Cléber Seagal)