Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Desmundo de Amor



Longe, entre continentes contingentes,
Quase que por engano,
Onde nos imaginamos,
Desperto deste desmundo,
Que hora nos mentem tanto,

O olhar, como de quem cuida,
O olhar no outro sob horas...
Minutos sem fala, Nem historias...
O mundo é pequeno criança,
De se desfazer,

O ler, de escrevinhador,
O ler neles observar da face,
Ver que há eternidade,
Mesmo sem tocar,
Ainda de se bem querer;

O corpo é marca encenada,
Reviravolta engendrada de cada,
Amante de cama e de vida,
Todo dia é alma de entrega severina,

Eu hoje, tu jás futuro,
Meu receio imaturo,
Visto que na vida as vezes há pranto,
Que se não cuido, me nudo,
Do que quero concretizado,

Há de ser, ipso facto,
dia após dia alvorecer,
Nos encontramos sem olhares,
Nos abraçaremos sem ares de desejarem ser,
Seremos só nós debruçados,

Longe, de um pensamento,
Um e outro sentimento mesmo,
Dentre nós que cremos,
O amor afaga e instaura,
Hoje me embriaga de transparecer.

(Cléber Seagal)

sexta-feira, 27 de março de 2015

O que é uma rosa?



O que é uma rosa de amores murchada,
Que se compadece e desvela desnudada?
O que é uma rosa de vermelho escarlate,
Que mancha esta mão,
Tão acolhida e lhe toma,
E se enobrece por não ter pretendido machucá-la.

Entre as flores talvez a mais magoada,
Que se entristece,
E ainda se ao cair das mãos fenece,
Quando foi-lhes mal dada.

O que é uma rosa,
Se o rubror vivo aos olhares,
Por si só de sangue e amor se envaidece,
Se assim for,
Na constância da vida tão fugida se apercebe de dor.

Calejada, envergonhada de desamor,
no coração de outrem uma vez desaguada.
O que é uma rosa tão finita,
Se colhida ao inverno não podes,
O que da primavera sempre se espera por sortes...

O brilho vivaz que outra não tem,
A beleza eterna que outra não compraz,
No efêmero das eras,
As rosas também são tristezas e espera.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 16 de março de 2015

Coração Devotado




Da historia que tanto sei, vejo com dolus,
De um amor perene em estado e modus,
Declaração solene, beijo cálido que sentes,
A dama desce feito véu nos braços entes,

A lua vira mel, como o adocicar dos olhares,
Fáceis toques das mãos, descem em rosto ares,
Cheiros de respirar, tanto querem satisfação,
Que como poderia alguém querer e dizer não,

Esses passos que se vão e enfenecem,
Essa espera conta ritmo e decrescem,
Uma balada na noite desguarnecida,
E o frio foste por assim tão desmerecida,

É trágico tanto o que contam destes seres,
Destes santos que se coadunam e credes,
Se amam, se enlaçam tanto como cisne,
Na primeva mudança do solstício livre,

Verão de repente sobreposto de inverno,
As lagrimas corridas muitas de certo,
Separação constante dos acalorados amantes,
Que o destino quis desconstruir desde antes,

Era, pois Isolda amada de Trisão,
Sem culpa tomaram sem querer da poção,
Que o amor fez tudo deles corroborar,
Mas Marcos aguardava a mão o desejar,

Deveria ser a donzela deste para sempre,
Tristão só poderia de aceitar condolente,
Os prantos que o revés triste da historia dá,
Quiçá que eu observo demente esperançoso cá,

Já estavas comprometida Isolda, mesmos sem amar
Moça que merece assim alguém querer tanto cuidar
Ah! herói de amores, o tempo passa, mas como não,
Este sentimento de comiseração persegue Tristão,

Meu amor, amor meu onde foste perdida no tempo,
Que outra Isolda seria amante tão benquista destempo,
-Eu ferido em lança por mortal pontada espero lento,
-Que meu amor venha me encontrar, num ultimo alento,

Não há mais horas certas e de escapada,
Que a linda Isolda chega tarde por estrada,
Quando chegas já o vê desfalecido de certo,
De tristezas o amor dela decai, de perto,

É de amor que soluças os prantos e também,
Morrem abraçados de amor que nunca mais tem,
Coração rompe-se igual faisão na amostra,
Que o tempo trágico dos amantes demonstra.

(Cléber Seagal)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Ausência



Já foste dormir anjo;
Que me guarda sem demora.
Entre deitar e o amanhecer;
Mais um dia, mais uma espera de tantas outras de outrora.
Estou sozinho neste sorrateiro negro das noites.
A procura de ti a me comprometer.
Ver a madrugada correr adentro sem te ser,
Com o báculo que acena horas, infatigáveis de demoras.
De relance me lembro que a contadas notas fui teu parceiro,
Entre frases, palavras e anedotas.
Meu sorriso no teu sorveu nosso tempo,
Tu voz clara, simbólica.
E eu a te escutar como nuns umbrais,
Vacilos de quem ama mais,
Te amo sem encarne de dores, de tramas, de males mais.

(Cléber Seagal)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Notas insones de um apaixonado



É amor mesmo. De certo!
Mais certo que a chuva de ontem
Nem falei que choveu na última madruga
De uma chuva distante e límpida, demorada...
Tremendo frio na madrugada que divaga
Frio dos que ficam e dos que foram já tarde...
Uma saudade cai rápida como as gotas desta chuva
O tempo aqui é quase nada
O coração é refém de tudo que me lembra nossas máculas
Noites de insônia sem paz
Pensamento sem pertence, nem dono
Como minha alma fugaz.
Meu destino. Teu destino sem prumo;
Sentimento de horas que satisfaz. 

(Cléber Seagal)

O observador pairado




Já vejo passar a noite, fuga do tempo;
Neste momento a hora se espera,
Se eu soubesse como dominar o medo,
Quisera ser só tua espera,
Mas meu riso contido em desespero se arremeda.
Sou um grilo que te chama na noite severa,
Acasala nossa espera,
Sou pergaminho sem que eu saiba ser do que descrevera,
Que se leia.
Teu corpo mistério,
Tua alma quem não deveria querê-la...?
E certa feita sou tua reza,
Hora digo meu amor que te amo,
Horas são pedaços que descambo sobre tua lembrança,
Em um sentimento de que amanhã:
As palavras d’além do ouvido; lhe sussurro e chamo.

(Cléber Seagal)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Insomnia



Um andarilho cruza a noite sem demorar,
conta os passos pela fronte, rara feito ar.
Um andarilho olha as esquinas,
Como se tentasse se equilibrar na mesma noite,
Que cai das horas a madrugar.
É frio que dista, é sereno que alardeia proteção,
Tendo medo que sejas sempre noites,
E só desejo, sem matéria, sem coração.
Desejo que encontre seu pernoite,
Que não bares, latrinas nem vícios,
Esteja pronto como a saudade que quer se achegar.
Um, dois, três passos...
Onde vais caminhante sem eira nem berço?
- “vou onde o pensamento de meu amor me levar...”

(Cléber Seagal)