Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

segunda-feira, 16 de março de 2015

Coração Devotado




Da historia que tanto sei, vejo com dolus,
De um amor perene em estado e modus,
Declaração solene, beijo cálido que sentes,
A dama desce feito véu nos braços entes,

A lua vira mel, como o adocicar dos olhares,
Fáceis toques das mãos, descem em rosto ares,
Cheiros de respirar, tanto querem satisfação,
Que como poderia alguém querer e dizer não,

Esses passos que se vão e enfenecem,
Essa espera conta ritmo e decrescem,
Uma balada na noite desguarnecida,
E o frio foste por assim tão desmerecida,

É trágico tanto o que contam destes seres,
Destes santos que se coadunam e credes,
Se amam, se enlaçam tanto como cisne,
Na primeva mudança do solstício livre,

Verão de repente sobreposto de inverno,
As lagrimas corridas muitas de certo,
Separação constante dos acalorados amantes,
Que o destino quis desconstruir desde antes,

Era, pois Isolda amada de Trisão,
Sem culpa tomaram sem querer da poção,
Que o amor fez tudo deles corroborar,
Mas Marcos aguardava a mão o desejar,

Deveria ser a donzela deste para sempre,
Tristão só poderia de aceitar condolente,
Os prantos que o revés triste da historia dá,
Quiçá que eu observo demente esperançoso cá,

Já estavas comprometida Isolda, mesmos sem amar
Moça que merece assim alguém querer tanto cuidar
Ah! herói de amores, o tempo passa, mas como não,
Este sentimento de comiseração persegue Tristão,

Meu amor, amor meu onde foste perdida no tempo,
Que outra Isolda seria amante tão benquista destempo,
-Eu ferido em lança por mortal pontada espero lento,
-Que meu amor venha me encontrar, num ultimo alento,

Não há mais horas certas e de escapada,
Que a linda Isolda chega tarde por estrada,
Quando chegas já o vê desfalecido de certo,
De tristezas o amor dela decai, de perto,

É de amor que soluças os prantos e também,
Morrem abraçados de amor que nunca mais tem,
Coração rompe-se igual faisão na amostra,
Que o tempo trágico dos amantes demonstra.

(Cléber Seagal)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Ausência



Já foste dormir anjo;
Que me guarda sem demora.
Entre deitar e o amanhecer;
Mais um dia, mais uma espera de tantas outras de outrora.
Estou sozinho neste sorrateiro negro das noites.
A procura de ti a me comprometer.
Ver a madrugada correr adentro sem te ser,
Com o báculo que acena horas, infatigáveis de demoras.
De relance me lembro que a contadas notas fui teu parceiro,
Entre frases, palavras e anedotas.
Meu sorriso no teu sorveu nosso tempo,
Tu voz clara, simbólica.
E eu a te escutar como nuns umbrais,
Vacilos de quem ama mais,
Te amo sem encarne de dores, de tramas, de males mais.

(Cléber Seagal)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Notas insones de um apaixonado



É amor mesmo. De certo!
Mais certo que a chuva de ontem
Nem falei que choveu na última madruga
De uma chuva distante e límpida, demorada...
Tremendo frio na madrugada que divaga
Frio dos que ficam e dos que foram já tarde...
Uma saudade cai rápida como as gotas desta chuva
O tempo aqui é quase nada
O coração é refém de tudo que me lembra nossas máculas
Noites de insônia sem paz
Pensamento sem pertence, nem dono
Como minha alma fugaz.
Meu destino. Teu destino sem prumo;
Sentimento de horas que satisfaz. 

(Cléber Seagal)

O observador pairado




Já vejo passar a noite, fuga do tempo;
Neste momento a hora se espera,
Se eu soubesse como dominar o medo,
Quisera ser só tua espera,
Mas meu riso contido em desespero se arremeda.
Sou um grilo que te chama na noite severa,
Acasala nossa espera,
Sou pergaminho sem que eu saiba ser do que descrevera,
Que se leia.
Teu corpo mistério,
Tua alma quem não deveria querê-la...?
E certa feita sou tua reza,
Hora digo meu amor que te amo,
Horas são pedaços que descambo sobre tua lembrança,
Em um sentimento de que amanhã:
As palavras d’além do ouvido; lhe sussurro e chamo.

(Cléber Seagal)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Insomnia



Um andarilho cruza a noite sem demorar,
conta os passos pela fronte, rara feito ar.
Um andarilho olha as esquinas,
Como se tentasse se equilibrar na mesma noite,
Que cai das horas a madrugar.
É frio que dista, é sereno que alardeia proteção,
Tendo medo que sejas sempre noites,
E só desejo, sem matéria, sem coração.
Desejo que encontre seu pernoite,
Que não bares, latrinas nem vícios,
Esteja pronto como a saudade que quer se achegar.
Um, dois, três passos...
Onde vais caminhante sem eira nem berço?
- “vou onde o pensamento de meu amor me levar...”

(Cléber Seagal)

O Dama e o Prestidigitador


Estava olhando a campina,
E na campina vi total liberdade.
O balanço e remanso pleno do vento,
A espera da tarde.
Poderia eu maquiar o que vês,
Sem as imagens que ilusiono-me,
Meu amor, minhas vistas são estas margens,
Sobremaneiramente acode-me,
Táctil lembrança só tua,
Nem vi mágica tua de quereres,
Que saudades me leve tanto,
O sol de basilares sem sombras nem esgueiros...
Só a rama silvestre e campins-santo.
Teus cabelos são estas paragens,
Onde brindam meus olhos conselheiros,
São de negro torpor decaindo nos ombros,
É todo amor, soltos para os pegar em mãos destarte;
Cabelos, beleza e flor.
Espero a passagem da tarde como quem espera,
Divina lembrança tua, e a natureza assemelha teu corpo nu.

(Cléber Seagal)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Palpitação



Acordo tendo em vista um sonhar, mais longe, um desejar como eu te veria...
Se a caneta toca fácil o papel, como meus olhos lhe tocam, somos um amanhecer,
O dia transcorrido lúcido parece agir sem a gente, mais por teimosia, do que ser,
De contar corroboro desespero, de pintar pensamentos em elo, que se arde,
Como uma fornalha sempre acesa, o sentimento é luz que não cessa,
Eu lastimo, se lhe olho muito um portrait tão santo, mas também tocar não posso,
Sua presença na minha, tão reciproca ideia, uma sentimentalismo tão nosso,
Será que eu deveria querer mais do que tanto, o cabe mais além das horas no dia?
É, portanto na noite que não se cabem essas horas, pois falta tenho em desespero,
Um arremeto de quem sente o frio por demais sobrar; tão seu este meu zelo,
Se de tempos em tempos espero, como casulo, uma primavera sua a me libertar,
A ver espreitar sobre a janela, o nascer do dia, como nasce esta palpitação em alento,
Desassossego me fala e interrogas; por onde andarás a quem sentes, por onde tu pensarás?
Entre dormir e acordar meu alimento; é mesmo a espreita de querer-te amar.

(Cléber Seagal)