Ola!

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."(Schopenhauer)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sempre Noites

Eu compartilharei o céu vindouro destas suplicas
E o medo tomará deveras dormente
Enquanto noites quebrarás ondas lúdicas
Meu ser tão teu, e nunca sereis do cadente,

Olho favo momento único
Cheiro de relva todo perfume
Boca de mel quero teu suco
Amada amante és todo lume,

Das estrelas és vida, és todo leste
Por onde tantos procuraram do coração
Eles se perderam correndo ao agreste
Por fim sobrou-lhes toda a emoção,

Que brilha e entorna serestas modestas
Levanto ao braço e procuro ostentar
Terás nos pirilampos todas as festas
Quem dera ser minha em tudo ao luar,

Negra noturna solidão me sonda
Eu que tanto te peço deste abraço
Tanto mais tenho de rogar em insônia
E vós fizestes-me prender em teus laços,

Amargurado que estou, longe de ti eu pereço
Nem chamas nem calores só frio d’áço
Pobre de mim que aguardo teu regresso
Pobre da noite que me canta teu afago.

(Cléber Seagal)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Prisão Sem Muros

...Chorava em cada canto uma saudade...triste e então sozinho, estava vazio,
nas lembranças que eu tinha, que menino eu era, indefeso;
passava a maior parte do tempo em um estado profundo de alucinação,
que só rostos passados curavam,

A cada dia como a cada ano logo que notava, nossa! o tempo não para,
buscava razões para a vida na criança que nasceu, no velho que morreu,
no sol que desponta ao horizonte...tua face...

onde você está quando por ti penso? e lendo estas linhas de apreço
estou no teu ser, remindo tristes e orfaõs pensares, que falta e que tantos milhares
vou ter que espizinhar pra te merecer,

Esta febre há de passar? se na noite vejo  mais razões...
quando as estrelas vivem e morrem,
parecem tantas de brilho raro.

(Cléber Seagal)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Impressões de um Cotidiano Triste

Ele sobe o morro altaneiro
Despojado é seu costume
Toda a rua é seu travesseiro
O ar consigo quase assume

Esta tristeza que ninguém conhece
Os amores de outrora o esvai
Sua vida aos poucos envelhece
Mal olham nem lhes atrai

As mulheres não o rogam coisa alguma
A paz que sobejem qualquer desejo
Não há quem lhe queira suma
A riqueza já foi este brejo

Todo o norte de magoas castigadas
Vociferando tomando-lhe da vida
É soberba do infeliz praguejadas
Mácula ardente e diuturna ferida

De andar sempre pelo amanhã
Não há retribuição na vivencia
Que pena faz não ter afã
Onde foi toda a sapiência?

Pés na calçada de alvenaria
A fome bate a porta de ensejo
Dos homens que acreditam da carestia
Rezo que serás livre de lampejo

É lagrima constante; é caída
Vi-o outros dias dum agosto
O que serás feito; onde há saída?
Tomara ter em si um gosto

Desses que se arruma a sobreviver
Por necessidade enfrenta tudo
Daí sim o que quiser merecer
Não se liga tanto ao mal, faz-se de mudo

No passado pensa-se futuros
Levanta tua cabeça e almeja o sol
Tua vida não é de muros
Faz do teu caminhar este farol.


Uma aurora de coisas pra se bem dizer.
De pedinte a ermitão
O velho enfrenta o viver
Por qualquer que seja o tostão

E só há uma festa na pobreza da riqueza
E meu amigo andarilho reparou bem
Pobres de espírito e sem esperteza
Quem dera o homem viver sem.

 (Cléber Seagal)






sábado, 23 de abril de 2011

Uma Flor Para Narciso

Você é feito rosa em vales que se deixa nascer,
Mas quem te vê crescer deseja o céu

O amor rompeu fronteiras para a encontrar na beira do lago,
Enquanto de agrado teu reflexo a faz viver

As nuvens passam e falam;
Lá se vai a criatura que a terra deslumbra
De dia e ao entardecer

Não é so da natura a pureza,
Criação de Deus na destreza,
O sol que me aquece, me acolhe
mesmo que a propria morte assim venha a fazer

Imagino-te quando os sonhos são um pouco mais do mesmo
E que estou sempre ao teu lado o dia inteiro

O teu amar com meu amar é sonho,
Cada segundo como se fosse o ultimo

O teu cantar acaricia meu medo
E a tua boca faz girar meu senso

Esse olhar me faz lembrar donzelas,
Que das estorias fez tornar mais belas,
De amor.

(Cléber Seagal)

Liberdade?

Ai miserável de mim e infeliz!
Apurar, ó céus, pretendo,
já que me tratais assim,
que delito cometi
contra vós outros, nascendo;
que, se nasci, já entendo
qual delito hei cometido:
bastante causa há servido
vossa justiça e rigor,
pois que o delito maior
do homem é ter nascido.
E só quisera saber,
para apurar males meus
deixando de parte, ó céus,
o delito de nascer,
em que vos pude ofender
por me castigardes mais?
Não nasceram os demais?
Pois se eles também nasceram,
que privilégios tiveram
como eu não gozei jamais?
Nasce a ave, e com as graças
que lhe dão beleza suma,
apenas é flor de pluma,
ou ramalhete com asas,
quando as etéreas plagas
corta com velocidade,
negando-se à piedade
do ninho que deixa em calma:
só eu, que tenho mais alma,
tenho menos liberdade?
Nasce a fera, e com a pele
que desenham manchas belas,
apenas signo é de estrelas
graças ao douto pincel,
quando atrevida e cruel,
a humana necessidade
lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto,
tenho menos liberdade?
Nasce o peixe, e não respira,
aborto de ovas e lamas,
e apenas baixel de escamas
por sobre as ondas se mira,
quando a toda a parte gira,
num medir da imensidade
co’a tanta capacidade
que lhe dá o centro frio:
só eu, com mais alvedrio,
tenho menos liberdade?
Nasce o arroio, uma cobra
que entre as flores se desata,
e apenas, serpe de prata,
por entre as flores se desdobra,
já, cantor, celebra a obra
da natura em piedade
que lhe dá a majestade
do campo aberto à descida:
só eu que tenho mais vida,
tenho menos liberdade?
Em chegando a esta paixão
um vulcão, um Etna feito,
quisera arrancar do peito
pedaços do coração.
Que lei, justiça, ou razão,
nega aos homens – ó céu grave!
privilégio tão suave,
exceção tão principal,
que Deus a deu a um cristal,
ao peixe, à fera, e a uma ave?

 
MONÓLOGO DE SEGISMUNDO
(LA VIDA ES SUEÑO, Ato I, Cena I)

de Pedro Calderón de la Barca

Tempestade de Verão

Estar triste é ver no silencio o que da face é notório de sentir
entender que palavras antes amargas jamais serão ditas 
e que no nunca ouvir serão da surda compreendidas
no mais, tristes relidas pra remir

Que o passado é dor incólume, o presente inerte de duvida, 
e o futuro de promissor despedida
Eles vêem tudo, nada dizem e o pensar absorto e livre me ensina, 
que com penar se aprende, não se cria

Para quê ser bonito de se ver, e em não tocar de se ter 
e o lindo não é mais do que o iludido
como é dificil o ser
qual tanto falta ser aprendido

É quando parece dormente meu Eu
onde não haver de ser talvez obra finda, 
que rasga o céu e planta vida,
do que deverias ser seu

Que colho ao ar rima, 
renego a arvore, a terra e a lira, 
e o universo divisório aborta, 
meu olho em si encosta
e não é nem mar, nem céu, nem terra…
é triste fim que se encerra.

(Cléber Seagal)

Semeeiro

O homem traça na terra seu rumo
da vivente sina do melhor
de ir pra lá e pra cá tece prumo
e gorjeia sereno todo o suor

O céu aponta ardente clima
esta labuta tende a ser necessaria
nosso senhor entende lá de cima
sol a pique nuvem rala, ô refazenda diaria

Se Caisse do firmamento agua
a cura de todos os males do seco
não carecia ser ardua
rogar ao bom Deus este apreço 

Explica-me ô mestre semeeiro
ei de viver minhas lutas
que rijo, que candeeiro
sem males, sem cortes, sem fugas.

(Cléber Seagal)