É pequena a inocência,
De quem não soube tomar o tempo,
Grande demais para a eloquência,
De sentidos barrados num cais,
Doce pequena órfã a miséria...
Não escolhe pele, nem ais,
Criança que saboreia a janela,
Até ver chegar seu anoitecer,
O relógio é tão diminuto,
A quem deita Hypnos para si,
E maduro, os homens se intitulam,
É inevitável o Tânatos chegar-se,
Flores murcham sem pressa,
Na troca das épocas,
Eterno repetir de séculos,
Humanidade de represa,
Note a angustia da passagem,
Sem dor que se anote,
E a perdição encontrada na estrada,
Marcada nas pegadas,
A criança dorme sobre o travesseiro,
O dia inteiro sonha rosas...
E o adulto neste aguaceiro por querer,
Querer-se de tanto espelhos,
O vidro quebrado excelso sedutor,
Rosto demarcado, lapso de forças,
Caído ao chão, lágrimas demarcadas,
Terror da cor que se dão,
Signo triste é a finitude,
As folhas caem em marca tempo,
As árvores insistem, naturalmente,
O homem não.
(Cléber Seagal)
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